terça-feira, setembro 06, 2011

Educar para a celebração da Vida e da Terra


Leonardo Boff

Dada a crise generalizada que vivemos atualmente, toda e qualquer educação deve incluir o cuidado para com tudo o que existe e vive. Sem o cuidado, não garantiremos uma sustentabilidade que permita o planeta manter sua vitalidade, os ecossistemas, seu equilíbrio e a nossa civilização, seu futuro. Somos educados para o pensamento crítico e criativo, visando a uma profissão e um bom nível de vida, mas nos olvidamos de educar para a responsabilidade e o cuidado para com o futuro comum da Terra e da Humanidade. Uma educação que não incluir o cuidado se mostra alienada e até irresponsável. Os analistas mais sérios da pegada ecológica da Terra nos advertem que se não cuidarmos, podemos conhecer catástrofes piores do que aquelas vividas em 2011 no Brasil e no Japão. Para se garantir, a Terra poderá, talvez, ter de reduzir sua biosfera, eliminando espécies e milhões de seres humanos.

Entre tantas excelências, próprias do conceito do cuidado, quero enfatizar duas que interessam à nova educação: a integração do globo terrestre em nosso imaginário cotidiano e o encantamento pelo mistério da existência. Quando contemplamos o planeta Terra a partir do espaço exterior, surge em nós um sentimento de reverência diante de nossa única Casa Comum. Somos inseparáveis da Terra, formamos um todo com ela. Sentimos que devemos amá-la e cuidá-la para que nos possa oferecer tudo o que precisamos para continuar a viver.

A segunda excelência do cuidado como atitude ética e forma de amor é o encantamento que irrompe em nós pela  emergência mais espetacular e bela que jamais existiu no mundo que é o milagre, melhor, o mistério da existência de cada pessoa humana individual. Os sistemas, as instituições, as ciências, as técnicas e as escolas não possuem o que cada pessoa humana possui: consciência, amorosidade, cuidado, criatividade, solidariedade, compaixão e sentimento de pertença a um Todo maior que nos sustenta e anima, realidades que constituem o nosso Profundo.

Seguramente, não somos o centro do universo. Mas somos aqueles seres, portadores de consciência e de inteligência, pelos quais o próprio Universo se pensa, se conscientiza e se vê a si mesmo em sua esplêndida complexidade e beleza. Somos o universo e a Terra que chegaram a sentir, a pensar, a amar e a venerar. Essa é nossa dignidade que deve ser interiorizada e que deve imbuir cada pessoa da nova era planetária.

Devemos nos sentir orgulhosos de poder desempenhar essa missão para a Terra e para todo o universo. Somente cumprimos com essa missão se cuidarmos de nós mesmos, dos outros e de cada ser que aqui habita.

Talvez poucos expressaram melhor estes nobres sentimentos do que o exímio músico e também poeta Pablo Casals. Num discurso na ONU nos idos dos anos 80, dirigia-se à Assembléia Geral pensando nas crianças como o futuro da nova humanidade. Essa mensagem vale também para todos nós, os adultos. Dizia ele:

A criança precisa saber que ela própria é um milagre, saber, que desde o início do mundo, jamais houve uma criança igual a ela e que, em todo o futuro, jamais aparecerá outra criança como ela. Cada criança é algo único, do início ao final dos tempos. E assim a criança assume uma responsabilidade ao confessar: é verdade, sou um milagre. Sou um milagre do mesmo modo que uma árvore é um milagre. E sendo um milagre, poderia eu fazer o mal? Não. Pois sou um milagre. Importa é que eu sou um milagre feito por Deus (...). Poderia eu matar alguém? Não. Não posso. Ou então, um outro ser humano que também é um milagre como eu,  poderia ele me matar? Acredito que o que estou dizendo às crianças, pode ajudar a fazer surgir um outro modo de pensar o mundo e a vida. O mundo de hoje é mau; sim, é um mundo mau. E o mundo é mau porque não falamos assim às crianças do jeito que estou falando agora e do jeito que elas precisam que lhes falemos. Então o mundo não terá mais razões para ser mau.

Aqui se revela grande realismo: cada realidade, especialmente, a humana é única e preciosa, mas, ao mesmo tempo, vivemos num mundo conflitivo, contraditório e com aspectos terrificantes. Mesmo assim, há que se confiar na força da semente. Ela é cheia de vida. Cada criança que nasce é uma semente de um mundo que pode ser melhor. Por isso, vale ter esperança. Um paciente de um hospital psiquiátrico que visitei escreveu, em pirografia, numa tabuleta que me deu de presente: “Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano”. Nada mais é necessário dizer, pois nestas palavras se encerra todo o sentido de nossa esperança face aos males e às tragédias deste mundo.

Leonardo Boff é autor de “Cuidar da Terra-proteger a vida”, Record, Rio de Janeiro 2010.

segunda-feira, setembro 05, 2011

Poderoso Conforto

"Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma." (Tiago 1:2-4)



Bom dia! Hoje divido com vocês uma breve crônica que recebi por e-mail do Pastor Mauro Clark, Ministério Falando de Cristo. Minhas orações são para que essa semana seja repleta de alegrias para todos nós, com a confiança de que Deus não erra!


“Quando se fala em provação, pensa-se numa escala - desde pequenos sofrimentos ou perdas, até dores atrozes - físicas ou da alma.

Na Sua misteriosa sabedoria, ao mesmo tempo em que concedeu para o Haroldo uma saúde de ferro, Deus lhe reservou altíssimas, quase inacreditáveis doses de sofrimento, envolvendo perdas pessoais.

A primeira delas ocorreu quando ele tinha trinta e poucos anos. Sua esposa, aos vinte e nove anos, contraiu um câncer de pulmão. A família foi para os Estados Unidos, em busca de melhores tratamentos. Pouco adiantou. Em pouco tempo a jovem Ruth estava sendo sepultada pelo marido... ladeado por quatro filhos - o mais velho com treze anos!

Ainda no hospital, nos momentos finais, o pai de Ruth chegou para o Haroldo e disse: - Meu querido genro, eu já perdi duas esposas e agora se vai a minha querida filha. Mas posso lhe dizer, por experiência própria: Deus não erra!

Essa frase marcou profundamente o jovem missionário, que voltou viúvo para o Brasil, sem saber como cuidaria da obra e dos filhos pequenos. Embora não gostasse de falar muito de suas tragédias pessoais, algumas vezes, quando me via em apuros, ele me citava essa lição de vida. Palavras inesquecíveis para ele. E, obviamente, também para mim. E para todos quantos tiveram o privilégio de ouvir diretamente dele tão poderoso conforto.”

sexta-feira, setembro 02, 2011

Equilíbrio

A sabedoria é árvore que dá vida a quem a abraça; quem a ela se apega será abençoado (Pv 3.18).



Precisamos buscar a sabedoria de Deus. É preciso manter o equilíbrio. Para isso devemos ficar de olhos bem abertos à sensatez. Caminhando na presença de Deus temos segurança e paz, sono tranquilo e proteção, porque o Senhor irá impedir nossa queda.

Certa vez, perguntaram a um famoso equilibrista: como você consegue se equilibrar tão bem. Ele respondeu: Simples, quando estou caindo para um lado, pendo para o outro. Esta frase ficou em minha mente e percebi que na vida precisamos manter a estabilidade, como um equilibrista que foge da queda pendendo em direção contrária. Percebo que às vezes, no lugar de nos curvarmos em direção contrária ao abismo, estamos pendendo para o buraco que nos atrai.

Alguns jacarés tem uma forma interessante de caçar sua refeição. Eles ficam parados de boca aberta, enterrados na lama, e figem que estão mortos. Insetos e pequenos anfíbios aproveitam o calor da boca do animal para se acomodarem. Quando o jaca­ré percebe que já tem o suficiente para uma mastigada, fe­cha a boca. Assim se alimenta sem maiores esforços. Muitas pessoas estão seguindo para a boca do jacaré, pendendo para o mau caminho. Acreditam que lá vão encontrar abrigo, e até conseguem algum prazer, mas quando a boca do jacaré se fecha é difícil retornar.

O que tem nos atraído? Será que estamos buscando a fétida boca do inimígo. Será que nossos passos se apressam em correr para o mal? A Bíblia, em Tiago 1 afirma que somos atraídos pela nossa cobiça, tentados pelo próprio mau desejo. Ele tenta nos arrastar, nos seduzir. Esta é a hora de aplicar a sabedoria do equilibrista. Temos que pender para o outro lado, para o Pai das luzes, e assim voltar ao equilíbrio. Pois senão, o desejo concebido nos leva ao pecado que gera a morte. Fato é: ou buscamos a Deus ou caminhamos para a boca do jacaré.  

A sabedoria de Deus é nosso equilíbrio na caminhada entre os abismos

Rev. Hebert dos Santos Gonçalves (Pão Diário)